sábado, 5 de novembro de 2016

SAUDADES



Meus Queridos Amigos 
Bom dia!
Muito bom dia!
Tenham um dia maravilhoso e muito feliz com momentos de alegria para que o possam recordar.
Tudo de bom e fiquem bem nestes sábado que se supõe chuvoso.
Hoje é dia de comemorar com todos os "meus"!
Sempre que comemoro o aniversário, dou comigo a fazer a retrospectiva do que já vivi, do que fui nos anos que vivi, do que não vivi na vida vivida e, mais importante, é o que não consigo explicar, é a nostalgia do passado.
Encontro-me comigo, a sós, converso sobre o caminho feito e o que penso fazer.
É interessante que como cada vez que o faço sinto o caminho da vida e que com a idade o já percorrido é maior e cresce com os dias.
A conversa que tenho comigo é longa, cresce nos assuntos e consome mais tempo na revisita que a cada ano faço.
A conclusão que chego, é que as saudades são sempre maiores. Tenho saudades do passado, são saudades por tudo e de tudo. E, mesmo com estas saudades, saudades todas ( boas, más e assim-assim) quero sempre acrescentar muito mais coisas na vida que ainda não vivi, para a cada comemoração sentir que os motivos e razões de sentir saudades enchem-me de vontade de olhar o futuro com projectos de fazer melhor.
Acabo esta conversa comigo, é bom conversar comigo ou com "nós próprios" para perante os pressupostos que me coloco ver se encontro alguma conclusão.
No caso, encontrei o que da vida já vivi:-
É bom sentir saudades!
Abreijos 
"".
Saudades
Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que penso...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria
e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer bem,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram,
dos quem não me despedi !
Daqueles que não tiveram
como me dizer um adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive
mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem ter gozado na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo,
em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,
por eu ter nascido noutras terras,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando
estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you"
ou seja lá
como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente
a imensa falta
que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio saboroso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência..."
Clarice Lispector
Nota: Autoria não confirmada.

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